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Você já sentiu incômodo ao ver alguém fazendo o bem de um jeito diferente do seu, só porque essa pessoa “não anda com o seu grupo”?

A gente vive dividido em grupos, comunidades, movimentos, e muitas vezes, sem perceber, passa a medir o bem pelo crachá de quem o faz. Se é dos nossos, celebramos. Se não é, desconfiamos. Os discípulos vivem isso hoje: primeiro discutem quem é o maior e, logo depois, tentam proibir alguém que fazia o bem em nome de Jesus. Jesus responde às duas coisas com uma clareza que desarma qualquer disputa.

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior.” João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque não anda conosco.” Jesus disse-lhe: “Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor.”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

“Houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior.”

A cena começa de um jeito pouco elogioso para os discípulos. Depois de tantos milagres e ensinamentos, a conversa entre eles era sobre ranking. A disputa por posição sabe se infiltrar até em quem caminha ao lado de Jesus.

“Jesus sabia o que estavam pensando.”

Ninguém disse nada em voz alta, mas Jesus leu o coração. Ele não expõe os discípulos diante da multidão, apenas responde ao que estava escondido. Deus conhece o que ruminamos por dentro e, mesmo assim, corrige com cuidado.

“Pegou então uma criança, colocou-a junto de si.”

Como no episódio que já refletimos antes, Jesus responde com um gesto: coloca no centro alguém sem poder e sem posição. A grandeza no Reino se mede por outra régua. Quem se faz pequeno, acolhe o pequeno e serve, esse é o maior.

“Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque não anda conosco.”

É aqui que o texto fica mais atual. João não conta um erro qualquer: conta algo que ele mesmo achou que era zelo. O homem fazia o bem, em nome de Jesus, com resultado real, pessoas libertadas. O problema, aos olhos dos discípulos, era só um: “não anda conosco”. O critério deles não era o fruto, era o pertencimento.
Percebe a sutileza? Logo depois de brigarem para saber quem era o maior, os discípulos agora querem controlar quem pode agir em nome de Jesus. É a mesma raiz: a necessidade de ser o centro, de ser o dono, de ser a referência.

“Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor.”

A resposta de Jesus é curta e libertadora. Ele não diz que tudo vale, nem que a comunidade e a pertença não importam. Ele diz que o bem feito em Seu nome não precisa de carimbo do nosso grupo para ser bem. Se alguém está expulsando o mal e libertando pessoas, não é adversário, é aliado.
Isso desmonta a lógica da concorrência espiritual. Quantas vezes torcemos o nariz para uma pastoral que não é a nossa, um movimento que não conhecemos, um jeito de rezar diferente do que aprendemos? Jesus convida a trocar a pergunta “ele é dos nossos?” por “o que ele está produzindo em nome de Jesus?”.
Existe um equilíbrio importante. Discernir continua necessário, e a Igreja sempre cuidou de verificar a verdade da fé e da doutrina. Mas o ponto do Evangelho de hoje é o reflexo automático de proibir só porque a pessoa não pertence ao nosso círculo. Esse reflexo revela mais sobre o nosso ego do que sobre o Reino.
A pergunta que fica é honesta: há alguém fazendo o bem ao meu redor que eu tenho tratado com desconfiança só porque “não anda conosco”? E será que eu consigo me alegrar com o bem que Deus realiza por caminhos que eu não controlo?

Senhor Jesus, hoje eu Te peço perdão pelas vezes em que quis ser o maior, o centro, a referência, em vez de simplesmente servir.
Perdoa-me também pelas vezes em que tentei “proibir” o bem só porque ele não veio do meu grupo, da minha comunidade, do meu jeito de fazer as coisas.
Ensina-me a me alegrar com todo bem realizado em Teu nome, por quem quer que seja, sem ciúme, sem competição, sem a necessidade de ter o controle.
Dá-me o discernimento de quem busca a verdade, mas também a humildade de quem sabe que o Teu Reino é maior do que qualquer grupo, movimento ou etiqueta.
Faz de mim alguém que acolhe o pequeno, valoriza o bem e caminha em união com todos os que trabalham por Ti.

Amém.

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