0 Comments

Você já ficou ao lado de alguém que amava — sem poder fazer nada — só para não deixar essa pessoa sozinha?
Tem uma forma de amor que não grita, não resolve, não conserta. Ela simplesmente fica. Quando não há mais nada a dizer, quando não há como mudar o que está acontecendo, quando o único gesto possível é a presença — esse amor fica de pé. E é o mais difícil de todos.
Perto da cruz, enquanto quase todos haviam fugido, havia quatro mulheres e um discípulo. De pé. Sem poder fazer nada. Mas lá.
No Evangelho de hoje, Jesus está na cruz — e mesmo no meio da agonia, Ele vê. Vê a mãe. Vê o discípulo amado. E no Seu último fôlego e em forma de cuidado, forma uma família nova: “Mulher, este é o teu filho. E Esta é a tua mãe.”
Até na morte, Jesus cuida. Até no fim, Ele doa. E quando tudo está consumado, o Seu lado é aberto — saem sangue e água. A vida derramada até a última gota.

Evangelho do dia 25 de maio de 2026

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

João 19, 15-34

Naquele tempo, perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”. Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

REFLEXÃO — Tudo Está Consumado

“Perto da cruz de Jesus, estavam de pé…”
De pé. João escolhe esse detalhe com cuidado. Não sentados, não prostrados, não escondidos — de pé. Em meio ao horror, havia quem permanecesse ereto. Havia quem não fugisse. E entre eles, a mãe.
Maria não estava ali por acidente. Ela havia dito sim uma vez — na Anunciação — e esse sim a trouxe até aqui. Até o pé da cruz. Ninguém lhe havia prometido que seria fácil. E ainda assim, de pé.
Há um silêncio imenso no Evangelho em relação ao que Maria sentia naquele momento. João não descreve as lágrimas, não registra os gritos. Apenas: ela estava lá. E talvez seja esse o testemunho mais profundo — o de um amor que permanece mesmo quando não há mais palavras.
E Jesus, mesmo na cruz, vê. Esse detalhe é de uma ternura desconcertante. Com a respiração comprometida, com o corpo exaurido, com o peso do mundo sobre Si — Jesus ainda encontra fôlego para olhar para a mãe. Para o discípulo. E cuida.
“Mulher, este é o teu filho. Esta é a tua mãe.” Com essas palavras, Jesus não está apenas organizando quem vai cuidar de Maria. Ele está fundando algo. A tradição cristã sempre enxergou nesse gesto um significado mais amplo — Maria sendo confiada a todos os discípulos, e todos os discípulos sendo confiados a Maria. Uma maternidade espiritual que nasce exatamente ali, no momento mais sombrio da história.
Depois disso, “sabendo que tudo estava consumado” — João insiste nesse detalhe: Jesus sabia. Ele não foi surpreendido pela morte. Ele conhecia cada passo daquele caminho e o percorreu com plena consciência. O “Tenho sede” não é apenas expressão de sofrimento físico — é também o cumprimento de uma profecia, a última peça de um mosaico que vinha sendo composto há séculos.
E então: “Tudo está consumado.” No grego, tetelestai — uma única palavra que significa “foi cumprido”, “foi completado”, “foi terminado”. Não é um grito de desespero. É a declaração de quem chegou ao fim de uma missão. Como um artesão que recua dois passos e olha para a obra terminada. Como um corredor que cruza a linha de chegada. A obra da redenção — iniciada antes da fundação do mundo — estava completa.
E então o soldado abre o lado de Jesus com uma lança. E saem sangue e água. João registra isso com a solenidade de uma testemunha — ele estava lá, ele viu. E a tradição cristã reconhece nesse sangue e nessa água os sacramentos que nascem do coração de Cristo: a Eucaristia e o Batismo. A Igreja que brota do lado aberto do Senhor. A vida que se derrama mesmo depois da morte.
Jesus não foi tirado pela morte. Ele entregou o espírito. Essa distinção importa. Até o fim, Ele era o sujeito — não o objeto. Até o último suspiro, estava no controle daquilo que parecia fuga de controle.
“Tudo está consumado.” E nesse consumado está tudo que você precisava, tudo que eu precisava, tudo que o mundo precisava — e não sabia como pedir.

ORAÇÃO DO DIA

Senhor Jesus, hoje me coloco perto da Tua cruz.
Não como espectador distante — mas como alguém que precisa entender o que aconteceu ali.
Tu viste a Tua mãe e cuidaste dela no Teu último fôlego. Ensina-me a amar assim — com atenção para quem está perto mim, mesmo quando eu mesmo estou sofrendo.
Tu disseste “tudo está consumado” — e nesse consumado está a minha salvação, o meu perdão, a minha esperança. Que eu nunca trate isso como algo banal. Que o peso desse amor me alcance de verdade.
Do Teu lado aberto saiu sangue e água — a vida derramada por mim. Que eu viva de maneira digna dessa entrega. Que o que Tu sofresses na cruz não seja em vão na minha vida.
Maria, que esteve de pé quando todos fugiram — intercede por mim para que eu também permaneça. Nos momentos em que quero fugir, que eu encontre força para ficar.

Amém.


Descubra mais sobre O Profeta Online

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts