0 Comments

Contemple a cena: o jardim escuro, o brilho das tochas e o som de soldados que recuam ao ouvir um simples “Sou Eu”. Acompanhe o julgamento onde o Réu é a própria Verdade e o juiz se perde em dúvidas. Siga os passos Daquele que carregou o peso de toda a humanidade para, no alto do Calvário, declarar que “tudo está consumado”. Fique conosco nesta meditação sobre a Paixão do Senhor e descubra como a morte de Jesus abriu para nós a fonte da vida eterna.

Evangelho do dia 03 de abril de 2026

— Louvor e honra a vós, Senhor Jesus.
— Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz; pelo que o Senhor Deus o exaltou e deu-lhe um nome muito acima de outro nome.

Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo João (Jo 18,1 – 19,42)

Naquele tempo, Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas.

Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: “A quem procurais?” Responderam: “A Jesus, o Nazareno”. Ele disse: “Sou eu”. Judas, o traidor, estava junto com eles. Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra. De novo lhes perguntou: “A quem procurais?” Eles responderam: “A Jesus, o Nazareno”. Jesus respondeu: “Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem”.

Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito: “Não perdi nenhum daqueles que me confiaste”. Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. Então Jesus disse a Pedro: “Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?”

Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano. Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: “É preferível que um só morra pelo povo”. Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus.

Enquanto Jesus era interrogado, Pedro, no pátio, negou-o três vezes, como o Senhor previra. Levado a Pilatos, Jesus declarou: “O meu reino não é deste mundo. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade”. Pilatos, não encontrando culpa nele, tentou soltá-lo, mas a multidão gritou: “Este não, mas Barrabás!”.

Pilatos mandou flagelar Jesus. Os soldados teceram uma coroa de espinhos, colocaram-na em sua cabeça e cobriram-no com um manto vermelho, zombando: “Viva o rei dos judeus!”. Pilatos apresentou-o à multidão: “Eis o homem!”. Mas os gritos de “Crucifica-o!” prevaleceram.

Jesus, carregando a própria cruz, saiu para o lugar chamado Calvário. Ali o crucificaram entre dois ladrões. No alto da cruz, o letreiro dizia: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”. Mesmo na agonia, Jesus cuidou dos seus, entregando sua mãe ao discípulo amado e o discípulo à sua mãe. Por fim, sabendo que tudo estava cumprido, disse: “Tenho sede”. Recebeu o vinagre e exclamou: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Ao final, o soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. José de Arimateia e Nicodemos tomaram o corpo de Jesus, envolveram-no em faixas de linho com aromas e o sepultaram em um túmulo novo, num jardim próximo ao lugar da crucificação.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Reflexão: “Tudo está consumado” – O triunfo da Obediência.

No relato da Paixão de João, Jesus é o Senhor da situação. Desde o jardim, onde Ele se identifica com o divino “Sou Eu”, até o último suspiro, Ele não é arrastado pela morte, mas se entrega a ela para vencê-la. O grito de Jesus na cruz — “Tudo está consumado” — não é um gemido de desistência, mas um brado de vitória. A obra que o Pai lhe confiou, a obra de reunir os filhos dispersos através do amor, foi plenamente realizada.

Vemos o contraste entre a realeza de Cristo e a fraqueza humana: a traição de Judas, a negação de Pedro, o medo de Pilatos. No entanto, aos pés da cruz, nasce uma nova família representada por Maria e o Discípulo Amado. Do lado aberto de Jesus, brotam o sangue e a água, símbolos dos sacramentos que dão vida à Igreja.

Nesta Sexta-feira Santa, somos convidados a “olhar para aquele que transpassaram”. Olhar não com pena, mas com gratidão e adoração. A cruz é o lugar onde Deus diz a última palavra sobre o pecado e o sofrimento: o amor é mais forte.

Hoje, em silêncio, perguntamo-nos: o que em nossa vida ainda precisa ser “consumado” pelo amor de Cristo? Estamos dispostos a permanecer ao pé da cruz, ou fugimos quando a “verdade” se torna exigente?

Oração do dia.

Senhor Jesus Cristo, Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, nós Vos adoramos e Vos bendizemos. Obrigado por não terdes recusado o cálice da dor, por terdes aceitado a coroa de espinhos para nos dar a coroa da vida. Ao contemplarmos Tua entrega total, pedimos que Teu Sangue e Tua Água lavem nossas culpas e curem nossas feridas. Que o silêncio deste dia nos ensine a valorizar Teu sacrifício e que, ao pé da Tua cruz, possamos aprender a amar como Tu amaste.

Amém.


Descubra mais sobre O Profeta Online

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts