
Você já quis ser reconhecido — e na hora em que pediu, percebeu que estava pedindo a coisa errada?
A gente tem uma necessidade profunda de ser visto. De importar. De ocupar um lugar que diga: você vale, você conta, você é alguém. Isso não é vaidade — é humano. O problema começa quando a gente confunde grandeza com posição. Quando acha que importar significa estar acima. Que ser reconhecido significa ser servido.
Tiago e João estavam exatamente nessa armadilha. E eles eram discípulos de Jesus — não pessoas de fora da fé.
No Evangelho de hoje, Jesus acabou de anunciar pela terceira vez que vai ser entregue, torturado e morto. E logo em seguida — logo em seguida — Tiago e João chegam e perguntam: “Deixa a gente sentar à tua direita e à tua esquerda na tua glória.”
É quase impossível não se identificar com eles. A gente ouve falar de cruz e pensa em coroa. Ouve falar de entrega e pensa em recompensa. E Jesus, com uma paciência que só o amor explica, não os expulsa — os ensina.
Evangelho do dia 27 de maio de 2026
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Marcos 10, 32-45
Naquele tempo, os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará”. Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”. Ele perguntou: “O que quereis que eu vos faça?” Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Jesus então lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”. Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
REFLEXÃO — A Grandeza que Ninguém Disputa
“Vós não sabeis o que pedis.”
Essa frase de Jesus não é uma reprovação — é um diagnóstico. Com ternura, Ele nomeia o que está acontecendo: Tiago e João querem a glória sem o cálice. Querem o destino sem o caminho. Querem o trono sem a cruz.
E Jesus não diz isso com ironia. Diz com compaixão — porque Ele sabe que eles ainda não entenderam. E que entender vai custar caro.
“Podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles respondem com entusiasmo: “Podemos!” E provavelmente eram sinceros. Não estavam mentindo — estavam superestimando o que sabiam sobre si mesmos. Assim como Pedro quando disse que nunca abandonaria Jesus. Havia fé ali. Havia amor. Mas havia também uma ilusão sobre a própria capacidade.
Jesus não desfaz o entusiasmo deles. Ele redireciona. “Vós bebereis o cálice.” Sim — mas não do jeito que vocês estão imaginando. O caminho para a grandeza no Reino não é uma escada rolante para cima. É uma descida voluntária. Uma entrega deliberada. Um serviço que ninguém filmou, que ninguém aplaudiu, que custou algo real.
Enquanto isso, os outros dez ficaram indignados. E Marcos registra isso sem julgamento — porque a indignação deles não vinha de um lugar mais santo. Vinha do mesmo lugar: “Por que eles e não eu?” A disputa pelo lugar, apenas com mais discrição.
Jesus os reúne a todos — e traça a linha mais clara do Evangelho inteiro sobre liderança e poder:
“Entre vós, não deve ser assim.”
No mundo, o poder desce de cima para baixo — quem está no topo manda, quem está embaixo obedece. É a lógica das nações, das corporações, das estruturas humanas. Jesus não está dizendo que é errado ter estrutura. Está dizendo que no Reino, a lógica é outra. Quem quer ser grande serve. Quem quer ser o primeiro se coloca em último.
E o modelo não é uma teoria. É uma pessoa. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.”
Jesus não pregou o serviço — Ele o viveu. Lavou pés. Tocou leprosos. Conversou com quem ninguém conversava. E no fim, entregou a própria vida — não porque foi forçado, mas porque escolheu.
Grandeza, no Reino, tem outro endereço. Ela não mora no palco. Mora na cozinha. Não mora nos títulos. Mora nas mãos que servem sem esperar reconhecimento. Mora no amor que persiste quando ninguém está olhando.
E a beleza disso é que essa grandeza — a única que Jesus valida — é a que ninguém disputa. Porque ninguém quer o último lugar. Ninguém briga para ser o servo de todos.
Mas é exatamente aí que Jesus está. E é exatamente aí que Ele chama você.

ORAÇÃO DO DIA
Senhor Jesus, eu me reconheço em Tiago e João hoje.
Há em mim uma sede de ser visto, de ser reconhecido, de ocupar um lugar que importe. E nem sempre eu percebo quando essa sede começa a distorcer o meu serviço — quando eu sirvo para ser notado, quando eu doo para ser elogiado, quando eu me coloco à frente para garantir o meu espaço.
Tu disseste: “Entre vós, não deve ser assim.”
Transforma o meu jeito de entender grandeza, Senhor. Que eu pare de medir o meu valor pela posição que ocupo — e comece a medir pelo amor com que sirvo.
Que eu aprenda com o Teu exemplo: Tu, que eras o maior de todos, lavaste os pés. Tu, que podias exigir tudo, deste tudo.
Faz de mim um servo. Não por obrigação — mas porque entendi que é aí que Tu estás. E onde Tu estás, eu quero estar.
Amém.
Descubra mais sobre O Profeta Online
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
